30/01/2011

O LIVRO DE ZACARIAS

TEMA: O segundo templo; a vinda do Messias; a futura glória de Sião.
MENSAGEM: Deus estava com os judeus na reedificação do templo Ed 1, 3, 6; mas deviam afastar-se dos pecados de outrora. O sacerdócio seria purificado, e o reino gloriosamente estabelecido, depois da rejeição e subseqüente vitória do Messias.
ANÁLISE:
Chamada ao Arrependimento 1.1-6. Os judeus, restaurados do Exílio Babilônico, não deviam voltar aos pecados de seus pais, que desprezaram os profetas e sofreram as justas conseqüências.
Oito Visões 1.7 – 6.8: Todas vistas na mesma noite, com explicações por um anjo.
  1. Cavalos e cavaleiros 1.7-17; O mundo em paz. Deus planeja grande bênção para Jerusalém.
  2. Chifres e ferreiros 1.18-21: Os quatro grande povos que subjugaram Israel (Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma). Eles mesmos seriam quebrados por Deus.
    1. Jerusalém medida cap 2: Será engrandecida, protegida e glorificada por Deus.
    2. Josué, sumo sacerdote cap 3: Este é o Jesua de Esdras 5.2. Representa o Israel pecaminoso, mas purificado e aceito por Deus, pela obra redentora do "Renovo" (Messias).
    3. O Candelabro cap 4: Representa o templo, que Zorobabel (Esdras 5.2) acabaria de construir, no poder do Espírito Santo ("azeite"). As duas "oliveiras" eram Josué e Zorobabel; (veja Apocalipse 11.3-12; 1.5;3.14).
    4. O rolo volante 5.1-4: A maldição da lei de Deus sobre o povo (Deuteronômio 27.15-26).
    5. O efa volante 5.5-11: o pecado - a idolatria e a impureza – levado para a Babilônia, (veja Apocalipse 17.3-5).
    6. Os quatro carros 6.1-8: Os juízos divinos sobre o mundo inimigo de Israel (veja Apocalipse 6.1-8).
    O Renovo 6.9-15: A coroação simbólica de Josué, o sumo sacerdote, profetizando a união do sacerdócio e a monarquia, em o "Renovo" (Isaías 11.1; Mateus 2.23; Jeremias 23.5). Jesus era descendente de Zorobabel, da casa real de Davi (Mateus 1.12), também é Sumo Sacerdote sobre o povo remido, o verdadeiro Templo (Apocalipse 5.9-10).
    O Jejum caps 7 e 8 : Religião sem moralidade. A desobediência dos judeus nos tempos passados. Deus ainda quer abençoá-los. A futura grandeza de Jerusalém.
    Israel, Messias e Nações caps 9-14: A luta contra gregos e romanos. A vinda e vitória do Messias. A restauração de Israel (cap 9-10). A rejeição do Pastor; o Anticristo (cap 11). A salvação de Jerusalém e seu arrependimento (cap 12). O povo purificado; a vitória final, na vinda do Senhor; a glória milenar de Jerusalém (cap. 13-14).
    Zacarias, filho de Berequias e neto de Ido, era de família sacerdotal (Neemias 12.4,16), que veio de Babilônia com Zorobabel e Josué (Jesua). Começou a profetizar no ano 520 a.C., uns dois meses depois de Ageu, com o motivo de animar os judeus na construção do novo templo (Ageu 1.1: Zacarias 1.1). Parece certa a identificação deste profeta com o Zacarias mencionado pelo Senhor em Mateus 23.35.
    Embora começando com o tema da restauração do Santuário, Zacarias trata de várias fases da vida espiritual da nação, e na última parte do livro (caps 9-14), o profeta revela acontecimentos futuros, ligados com a primeira vinda do Messias, a Sua rejeição, a Sua vitória final e Seu glorioso reino.
    Referências proféticas ao Messias se acham nos seguintes trechos:
    • 3.8-9; 13-1 .... Sua morte para expiação do pecado - 1ª Pe 2.24; 3.18
    • 6.12 … Construtor da casa do Senhor - Mt 16.18; Ef 2.21
    • 6.13; 9.10… Seu domínio universal como Rei e Sacerdote - Hb 5.9-10;
      Fp 2.9-11.
    • 9.9… Sua entrada em Jerusalém - Mt 21.5
    • 11.12.... As 30 peças de prata - Mt 27.9-10
    • 12.10.... As mãos traspassadas – Jo 19.37
    • 13.7…O Pastor ferido – Mt 26.31
    • 14.4-5 …Sua vida triunfante – Ap 19.11-16


Juízes & Rute

AutorO autor de Juízes é desconhecido. O Talmude atribui o livro de Juízes a Samuel. Este bem pode ter escrito partes do Livro, já que se afirma que era um escritor (1Sm 10.25).
DataO Livro de Juízes cobre o período entre a morte de Josué e a instituição da monarquia. A data real da composição do livro é desconhecida. No entanto, evidências internas indicam que ele foi escrito durante o período inicial da monarquia que se seguiu à coroação de Saul. Porém antes da conquista de Jerusalém por Davi, cerca de 1050 a 1000 aC. Esta data tem o apoio de dois fatos: 1) As palavras “naqueles dias, não havia rei em Israel” (17.6) foram escritas num período em que Israel tinha um rei. 2) A declaração de que “os jubuseus habitaram com os filhos de Benjamim em Jerusalém até ao dia de hoje” (1.21) aponta para um período anterior à conquista da cidade por Davi (2Sm 5.6,7).
Contexto HistóricoJuízes cobre um período caótico na história de Israel: cerca de 1380 a 1050 aC. Sob a liderança de Josué, Israel conquistou e ocupou de forma geral a terra de Canaã, mas grandes áreas ainda permaneceram por ser conquistadas pelas tribos individualmente. Israel praticava continuamente o que era mau aos olhos do Senhor e “não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (21.25). Ao servirem de forma deliberada a deuses estranhos, o povo de Israel quebrava a sua aliança com o Senhor. Em conseqüência, o Senhor os entregava nas mãos dos opressores. Cada vez que o povo clamava ao Senhor, este, com fidelidade, levantava um juiz a fim de prover libertação ao seu povo. Estes juizes, a quem o Senhor escolheu e ungiu com o seu Espírito, eram militares e civis. O Livro de Juizes não olha apenas retroativamente para a conquista de Canaã, liderada por Josué, registrando as condições em Canaã durante o período dos juízes, mas também antecipa o estabelecimento da monarquia em Israel.
ConteúdoO Livro de Juizes está dividido em três seções principais: 1) Prólogo (1.1-3.6) 2) narrativas (3.7-16.31); e 3) epílogo (17.1-21.25). A primeira parte do prólogo (1.1-2.5) estabelece o cenário histórico para as narrativas que seguem. Ali é descrita a conquista incompleta da Terra Prometida (1.1-36) e a reprimenda do Senhor pela infidelidade do povo à sua aliança (2.1-5). A segunda parte do prólogo (2.6-3.6) oferece uma visão geral do corpo principal do Livro, que são as narrativas. Estas descrevem os caminhos rebeldes de Israel durante os primeiros séculos na Terra Prometida e mostram como o Senhor se relacionou com a nação naquele período, um tempo caracterizado por um ciclo recorrente de apostasia, opressão, arrependimento e libertação.
A parte principal do livro (3.7-16.31) ilustra esse padrão que se repete na história antiga de Israel. Os israelitas faziam o que era mau aos olhos do Senhor (apostasia); o Senhor os entregava nas mãos de inimigos (opressão); o povo de Israel clamava ao Senhor (arrependimento); e, em resposta ao seu clamor, o Senhor levantava libertadores a que ele capacitava com o seu Espírito (libertação). Seis indivíduos— Otniel, Eúde, Débora, Gideão, Jefté e Sansão—, cujo papel de libertadores é narrado com mais detalhes, são classificados como “juízes maiores”. Seis outros, que são mencionados rapidamente— Sangar, Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom—, são conhecidos como “juízes menores”. Um décimo terceiro personagem, Abimeleque, está vinculado à história de Gideão.
Duas histórias são acrescentadas ao Livro de Juízes (17.1—21.15) na forma de um epílogo. O propósito desses apêndices não és estabelecer um final ao período dos juízes, mas descrever a corrupção religiosa e moral existente nesse período. A primeira história ilustra a corrupção na religião de Israel. Mica estabeleceu em Efraim uma forma pagã de culto ao Senhor, a qual foi adotada pelos danitas quando estes abandonaram o território que lhes coube por herança e migraram para o norte de Israel. A segunda história no epílogo ilustra a corrupção moral de Israel ao relatar a infeliz experiência de um levita em Gibeá, no território de Benjamim, e a conseqüente guerra benjamita. Aparentemente, o propósito desta seção final do livro é ilustrar as conseqüências da apostasia e anarquia nos dias em que “não havia rei em Israel”.
O Espírito Santo em AçãoA atividade do Espírito Santo do Senhor no Livro de Juízes é claramente retratada na liderança carismática daquele período. Os seguintes atos heróicos de Otniel, Gideão, Jefté e Sansão são atribuídos ao Espírito do Senhor:
O Espirito do Senhor veio sobre Otniel (3.10) e o capacitou a libertar os israelitas das mãos de Cusã-Risataim, rei da Síria.
Através da presença pessoal do Espírito do Senhor, Gideão (6.34) libertou o povo de Deus das mãos dos midianitas. Literalmente, o Espírito do Senhor se revestiu de Gideão. O Espírito do Senhor capacitou este líder escolhido por Deus e agiu através dele para implementar o ato salvífico do Senhor em benefício do seu povo.
O Espírito do Senhor equipou Jefté (11.29) com habilidades de liderança no seu empreendimento militar contra os amonitas. A vitória de Jefté sobre os amonitas foi o ato de libertação do Senhor em benefício de Israel.
O Espírito do Senhor capacitou Sansão e executar atos extraordinários. Ele começou a impelir Sansão para sua carreira (13.25). O Espírito veio poderosamente sobre ele em várias ocasiões. Sansão despedaçou um leão apenas com as mãos (14.6). Certa vez matou trinta filisteus (14.19) e, em outra ocasião, livrou-se das cordas que amarravam as suas mãos e matou mil filisteus com uma queixada de jumento (15.14,15).
O mesmo Espírito Santo que deu condições a esses libertadores para que fizesse façanhas e cumprissem os planos e propósitos do Senhor continua operante ainda hoje.
Esboço de Juízes
I. Prólogo: As condições em Canaã após a morte de Josué 1.1-3.6
Continuação das conquistas pelas tribos de Israel 1.1-26
Conquista incompletas da terra 1.27-36
A aliança do Senhor é quebrada 2.1-5
Introdução ao período dos juízes 2.6 –3.6
II. História de opressões e libertações durante o período dos juízes 3.7-16.31
Opressão mesopotâmica por meio de Otniel 3.7-11
B) Opressão moabita por meio de Eúde 3.12-30
C) Opressão filistéia e libertação por meio de Sangar 3.31
Opressão cananita e libertação por meio de Débora e Baraque 4.1-5.31
Opressão midianita e libertação por meio de Gideão 6.1– 8.35
Breve reinado de Abimeleque 9.1-57
Carreira de Tola como Juiz 10.1,2
Carreira de Jair como Juiz 10.3-5
Opressão amonita e libertação por meio de Jefté 10.6 –12.7
Carreira de Ibsã como juiz 12.8-10
Carreira de Elom como juiz 12.11,12
Carreira de Abdom como juiz 12.13-15
Opressão filistéia e libertação por meio de Sansão 13.1-16.31
III. Epílogo: Condições que ilustram o período dos juízes 17.1-21.25
Apostasia: A idolatria de Mica e a migração dos danitas 17.1 –18.31
Imoralidade: Atrocidade em Gibeá e a guerra benjamita 19.1-21.1

 Rute (Rt)
Autor: Desconhecido (Samuel)
Data: Entre 1050 e 500 aC

AutorOs estudiosos discordam quanto à data do livro, porém o seu cenário histórico é evidente. Os episódios relatados nos livro de Rute se passam durante o período de Juízes, sendo parte daqueles eventos que ocorrem entre a morte de Josué e a ascensão da influência de Samuel (provavelmente 1150 e 1100 aC).
A tradição rabínica assegura que Samuel escreveu o livro na segunda metade do séc. XI aC. Apesar do pensamento crítico mais recente sugerir uma data pós-exílica bem mais tardia (cerca de 500 aC), há evidências na linguagem da obra bem como referencias a costumes peculiares próprios do séc. XII aC que recomendam a aceitação da data mais antiga. É razoável supor que Samuel, que testemunhou o declínio do reinado de Saul e foi divinamente instruído para ungir Davi como escolhido de Deus para o trono, tivesse redigido o livro. Uma história tão comovente como essa certamente já teria sido passada adiante oralmente entre o povo de Israel, e a genealogia que a conclui indicaria uma conexão com os patriarcas, oferecendo assim uma resposta a todos aqueles que, em Israel, indagassem pelo passado familiar do seu rei.
Cristo ReveladoBoas representa uma das mais dramáticas figuras do AT que antecipa a obra redentora de Jesus. A função de “parente remidor” cumprida de forma tão elegante nas ações que promoveram a restauração pessoal de Rute, dá testemunho eloqüente a respeito disso. As ações de Boaz efetuam a participação de Rute nas bênçãos de Israel e a incluem na linhagem familiar do Messias (Ef 2.19). Eis aqui uma magnífica silhueta do Mestre, antecipando em muitos séculos a sua graça redentora. Como nosso “parente chegado”, ele se torna carne—vindo como um ser humano (Jo 1.14; Fp 2.5-8)
Esboço de Rute
I. Ima família hebraica em Moabe 1.1-22
Sofrimento de Noemi 1.1-5
Dedicação e promessa de Rute 1.6-18
Retorno a Belém 1.19-22
II. Uma mulher humilde no campo da colheita 2.1-23
Rute no campo de Boaz 2.1-3
Generosidade e proteção de Boaz 2.4-17
Noemi reconhece a bondade de Deus 2.18-23
III. Um matrimônio planejado 3.1-18
Orientação de Noemi 3.1-5
Obediência de rute 3.6-13
Recompensa pela obediência 3.14-18
IV. Parente e remidor 4.1-22
Boaz, o remidor escolhido por Deus 4.1-12
Casamento de Boaz com Rute 4.13
Benção de Deus sobre Noemi 4.14-17
Genealogia de Davi 4.18-22

Esdras & Neemias

Esdras (Ed)Autor: Atribuído a Esdras
Data: Entre 538 e 457 aC
AutorO livro de Esdras, cujo nome provavelmente signifique “ O Senhor tem ajudado”, deriva o seu título do personagem principal dos caps. 7-10. Não é possível saber com absoluta certeza se foi o próprio Esdras quem compilou o livro ou se foi um editor desconhecido. A opinião conservadora e geralmente aceita é de que Esdras tenha compilado ou escrito este livro juntamente com 1 e 2 Crônicas e Neemias. A Bíblia hebraica reconhecia Esdras e Neemias como um só livro.
O próprio Esdras era um sacerdote, um “escriba das palavras, dos mandamentos do SENHOR” (7.11). Liderou o segundo dos três grupos que retornaram da Babilônia pra Jerusalém. Como homem devoto, estabeleceu firmemente a Lei (o Pentateuco) como a base da fé (7.10).
DataOs eventos de Esdras cobrem um período um pouco maior do que 80 anos e caem em dois segmentos distintos. O primeiro (caps.1-6) cobre um período de cerca de 23 anos e tem como tema o primeiro grupo que retorna do exílio sob Zorobabel e a reconstrução do templo.
Depois de mais de 60 anos de cativeiro babilônico, Deus desperta o coração do regente da Babilônia, o rei Ciro da Pérsia, para publicar um édito que dizia que todo judeu que assim desejasse poderia retornar pra Jerusalém a fim de reconstruir o templo e a cidade. Um grupo de fiéis responde e partiu em 538 aC sob a liderança de Zorobabel. A construção do templo é iniciada, mas a oposição dos habitantes não judeus desencoraja o povo, e a obra é interrompida. Deus, então, levanta os ministério proféticos de Ageu e Zacarias, que chamam o povo para completar a obra. Embora bem menos esplêndido que o templo anterior, o de Salomão, o novo templo é completado e dedicado em 515 aC.
Aproximadamente 60 anos depois (458aC), outro grupo de exilados volta para Jerusalém liderados por Esdras (caps. 7-10). São enviados pelo rei persa Ataxerxes, com somas adicionais de dinheiro e valores para intensificar o culto no templo. Esdras também é comissionado para apontar líderes em Jerusalém para supervisionar o povo.
Já em Jerusalém, Esdras assumiu o ministério de reformador espiritual, o que deve ter durado cerca de um ano. Depois disso, viveu, provavelmente, com um influente cidadão até à época de Neemias. Sacerdote dedicado, Esdras encontra um Israel que tinha adotado muitas das práticas dos habitantes pagãos; ele chama Israel ao arrependimento e a uma renovada submissão à Lei, ao ponto do divórcio de suas esposas pagãs.
ConteúdoDuas grandes mensagens emergem de Esdras: a fidelidade de Deus e a infidelidade do homem.
Deus havia prometido através de Jeremias (25.12) que o cativeiro babilônico teria duração limitada. No momento apropriado, cumpriu fielmente a sua promessa e induziu o espírito do rei Ciro da Pérsia a publicar um édito para o retorno dos exilados (1.1-4). Fielmente, concedeu liderança (Zorobabel e Esdras), e os exilados são enviados com despojos, incluindo itens que haviam sido saqueados do templo de Salomão (1.5-10)
Quando o povo desanimou por causa da zombaria dos inimigos, Deus fielmente levantou Ageu e Zacarias para encorajar o povo a completar a obra. O estímulo dos profetas trouxe resultados (5.1,2).
Finalmente, quando o povo se desviou das verdades da sua apalavra, Deus fielmente enviou um sacerdote dedicado que habilidosamente instruiu o povo na verdade, chamando-o à confissão de pecado e ao arrependimento dos seus caminhos perversos (caps. 9-10).
A fidelidade de Deus é contrastada com a infidelidade do povo. Apesar do seu retorno e das promessas divinas, o povo se deixou influenciar pelos seus inimigos e desistiu temporariamente (4.24). Posteriormente, depois de completada a obra, de forma que pudesse adora a Deus em seu próprio templo (6.16.18), o povo se tornou desobediente aos mandamentos de Deus; desenvolve-se uma geração inteira cujas “iniqüidades se multiplicaram sobre as vossas cabeças” (9.6). Contudo, como foi dito acima, a fidelidade de Deus triunfa em cada situação.
O Espírito Santo em AçãoA obra do ES em Esdras pode ser vista claramente na ação providencial de Deus em cumprir as suas promessas. Isto é indicado pela frase “ a mão do Senhor”, que aparece seis vezes.
Foi pelo Espírito que “despertou o Senhor o espírito de Ciro” (1.1) e “tinha mudado o coração do rei da Assíria” (6.22). Teria sido também pelo ES que “Ageu, profeta e Zacarias... Profetizaram aos Judeus” (5.1).
A obra do ES é vista na vida pessoal de Esdras, tanto no sentido de obrar nele (“Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor”, 7.10), como no sentido de atuar em seu favor (“o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira”. 7.6)
Neemias (Ne)
Autor: 
Neemias
Data: Cerca de 423 aC

AutorO título atual do livro é derivado do seu personagem principal, cujo nome aparece em 1.1. A nossa primeira imagem de Neemias é quando ele aparece em seu papel de copeiro na corte de Artaxerxes. Um copeiro tinha uma posição de grande confiança como conselheiro do rei e a responsabilidade de proteger o rei de envenenamento. Enquanto Neemias, sem dúvida, desfrutava o luxo do palácio, o seu coração estava em Jerusalém, uma pequena cidade nas longínquas fronteiras do império.
A oração, o jejum, as qualidade de liderança, a poderosa eloqüência, as habilidades organizacionais criativas, a confiança nos planos de Deus e a rápida e decisiva resposta aos problemas qualificavam Neemias como um grande líder e como um grande homem de Deus. Mais importante ainda: ele deixa transparecer um espírito de sacrifício, cujo único interesse é resumido na sua repetida oração: “Lembra-te de mim pra bem, ó meu Deus!”
DataNas escrituras, o livro de Neemias formava uma unidade com Esdras. Muitos estudiosos consideram Esdras como o autor/compilador de Esdras -Neemias bem como de 1 e 2 Crônicas. Ainda que não tenhamos muita certeza, parece que Neemias contribuiu com parte do material contido no livro que leva o seu nome (caps.1-7; 11-13).
Jerônimo, que traduziu a Bíblia ao latim, honrou Neemias ao dar o seu nome ao livro em que aparece como personagem principal. Neemias significa “Jeová consola”. A história começa no livro de Esdras e se completa em Neemias. Neemias, que serviu duas vezes como governador da Judéia, deixa a Pérsia para realizar a sua primeira missão no vigésimo ano de Artaxerxes I da Pérsia, que reinou de 465 até 424 aC (2.1). Retorna à Pérsia no trigésimo segundo ano de reinado de Artaxerxes (13.6) e volta novamente para Jerusalém “ao cabo de alguns dias”.
Pelo conteúdo do livro, sabe-se que a obra somente pode ter sido escrita algum tempo depois da volta de Neemias da Pérsia para Jerusalém. Talvez a sua redação final tenha sido completada antes da morte de Artaxerxes I em 424 aC; ao contrário, a morte de um monarca tão benigno provavelmente teria sido mencionada em Ne.
O período histórico coberto pelos livros de Esdras e Neemias é de cerca de 110 anos. O período de reconstrução do templo sob Zorobabel, inspirado pela pregação de Zacarias e Ageu, foi de 21 anos. 60 anos mais tarde, Esdras causou um despertar do fervor religioso e promoveu um ensino adequado sobre o culto no templo. 13 anos depois, Neemias veio pra construir os muros. Talvez Malaquias tenha profetizado durante aquela época. Se foi assim, Neemias e Malaquias trabalharam juntos para erradicar o mal que significava o culto a muitos deuses e atacaram o pecado da associação com o povo que havia sido forçada a recolonizar aquelas regiões pelos assírios cerca de 200 anos antes. Tiveram tanto sucesso, que durante o período intertestamental o povo de Deus não voltou à idolatria. Dessa maneira, quando veio o Messias, pessoas como Isabel e Zacarias, Maria e José, Simeão, Ana, os pastores e outros eram pessoas piedosas com que Deus iria se comunicar.
ConteúdoNeemias expressa o lado prático, a vivência diária da nossa fé em Deus. Esdras havia conduzido o povo a uma renovação espiritual, enquanto Neemias era o Tiago do AT, desafiando o povo a mostrar a sua fé por meio das obras.
A primeira seção do livro (caps. 1-7) fala sobre a construção do muro. Era necessário para que Judá e Benjamim continuassem a existir como nação. Durante o período da construção dos muros, os crentes comprometidos, guiados por esse líder dinâmico, venceram a preguiça (4.6), zombaria (2.20), conspiração (3.9)e ameaças de agressão física (4.17).
A segunda seção do Livro (caps. 8-10) é dirigida ao povo que vivia dentro dos muros. A aliança foi renovada. Os inimigos que moravam na cidade foram exposto e tratados com muita dureza. Para guiar esse povo, Deus escolheu um home de coração reto e com uma visão clara dos temas em questão, colocou-o no lugar certo no momento certo, equipou-o com o seu Espírito e o enviou pra fazer proezas.
Na última seção (caps.11-13), o povo é restaurado à obediência da Palavra de Deus, enquanto Neemias, o leigo, trabalha junto com Esdras, o profeta. Como governador durante esse período, Neemias usou a influência do seu cargo para apoiar a Esdras e exercer uma liderança espiritual. Aqui se revela um homem que planeja sabiamente suas ações (“considerei comigo mesmo no meu coração”) e um homem cheio de ousadia (“contendi com os nobres”)
O Espírito Santo em AçãoDesde a criação, o ES tem sido o braço executivo de Deus na terra. Eliú falou a verdade quando disse a Jó: “O Espírito de Deus na terra me fez” (Jó 33.4). Aqui aparece um padrão constante: é o Espírito de Deus que age para fazer de nos o que Deus quer que sejamos. Ne 2.18 diz: “Então, lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável.” A mão de Deus, seu modo de agir sobre a terra, é o Espírito Santo.
Neemias, cujo nome significa “Jeová conforta”, foi claramente um instrumento do ES. Sob o poder do ES, certamente se tornou modelo da forma de atuar do ES e foi uma dos primeiros cumprimentos dessa memorável profecia.



DANIEL E A COVA DOS LEÕES

Daniel, o profeta, é muito conhecido por ter sido jogado na cova dos leões e de lá ter saído ileso. No entanto, há alguns detalhes nessa história que revela o comportamento de um home de fé num mundo Deus. 
Daniel tinha aproximadamente 90 anos. Desde o começo sua história é cheia de provações onde sua fé foi provada e aprovada. No entanto, em nenhum momento de sua vida ele atravessou um momento tão difícil aos olhos dos homens do que no final de sua vida. O que nos chama a atenção é justamente seu comportamento em meio as dificuldades. Mostrou com suas atitudes que era um homem de fé, e um homem de fé tem plena confiança em Deus. 

I. A vida de um homem de fé está em contraste com o espírito deste mundo:
A. É dito que em Daniel se achava um espírito excelente:
1. Alguém pode dizer que isso foi uma inferência apenas do Espírito Santo, para distingui-los dos demais;
2. Mas vejamos, que mesmo uma pessoa mais velha como a mãe de Belsazar, ao se referir a ele, vê nele este espírito excelente (5:11);
3. Mesmo o velho Nabucodonozor podia ver em Daniel um espírito excelente, o qual ele denominou, o !espírito dos deuses santos? (4:9).
B. Já os homens de seu tempo tinha um outro espírito, o espírito deste mundo: 1Co 2:12
? Ora, nós não temos recebido o espírito deste mundo, e sim o Espírito que vem de Deus para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente?
1. O espírito deste mundo é revelado no comportamento dos homens carnais;
2. Podemos dizer que as obras da carne revelam as características deste espírito, mas destacamos algumas coisas aqui: Tais como: Competições, materialismo, ódio, inveja, guerras, prostituições, etc
C. Se o espírito que os move é diferente, podemos afirmar que a visão dos dois sobre o mundo é diferente também:
1. O homem sem Deus vê o mundo como um grande palco onde ele deve mostrar toda sua força, todo seu talento, toda sua beleza, e toda sua astúcia para ser o mais importante entre os homens;
2. O servo de Deus vê o mundo como uma oportunidade de servir e agradar seu Deus;
D. A vida em si se contrasta entre estes dois tipos de homens: 

1. Nos homens do tempo de Daniel percebemos as obras infrutuosas da carne, e sua PREOCUPAÇÃO ANGUSTIANTE por Daniel ser cotado para estar acima deles;
2. Em Daniel o que vemos é uma paz, e uma segurança no que diz respeito a soberania de Deus;
E. Já pensou se Daniel fosse viver de acordo com as paixões dos homens e concorrer com eles no excesso da devassidão?
1. Ele está aqui com mais ou menos 90 anos de idade, e ainda era uma referência de sabedoria e dedicação no seu trabalho, e sem usar os artifícios humanos;
2. Se fosse entrar na concorrência do excesso da devassidão dos homens do seu tempo, com certeza, jamais teria vivido uma vida tão em paz quanto ele viveu;
F. Lembremos: Daniel teve muitos motivos para agir segundo o espírito deste mundo!
G. Daniel nos ensina a não nos envolver no espírito de competição mundano dos carnais:
?No tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus. Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, barracharias, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão? 1Pe 4:2-4 
II. A vida de um homem de fé em Deus não é a isenção da maldade e perseguições deste mundo: 
A. O homem de Deus não precisa fazer nada para ser perseguido, pois o simples fato de não concordar com a vida dos mundanos já lhe acarreta retaliações; 
B. Daniel foi pego por causa da sua integridade: 
1. Veja o ardil dos inimigos: ! Nunca acharemos nele ocasião alguma para acusar este Daniel, se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus? (v.5); 
2. Atingiram Daniel quando redigiram uma lei que o fazia estar contra o seu Deus; 
C. Pensemos nesta lei e seu efeito nos dias de hoje! 
1. Causaria pouco impacto numa cristandade idólatra e nominal; 
2. Mas em Daniel lhe roubava todo o consolo e prazer deste humilde servo; 
D. Que alerta para o verdadeiro crente! Será ele perseguido pelo crê, e pelo seu grau de comunhão com Deus? 2Pe 2:19-21; 
E. Se um dia você se sentir perseguido por causa de sua comunhão com Deus, lembre-se da oração de Jesus; !Assim como me perseguiram a mim, perseguirão a vós?. 

III. O homem de fé sabe o que fazer diante de uma situação angustiante: v. 10 
A. Ele poderia ter uma atitude normal para o mundo: 
1. Fugir e sair correndo de medo como os israelitas; 
2. Apelar para as obras da carne como fez Saul; 
3. Ficar se queixando ou afrontar uma lei tão injusta; 
B. Mas o que fez? 
?Daniel, pois, quando soube que escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças a Deus, como costumava fazer? 
A vida de Daniel era uma vida de oração; 
Ele ensinava seus amigos a necessidade da oração; 
Deus era capaz de enviar anjos para responder suas orações; 
C. Daniel manteve seus hábitos religiosos: 
1. Sua fé foi corajosa e sem exibicionismo público; 
2. Não houve ostentação da religião; 
3. Humildemente colocou-se de joelhos e dava graças a Deus; 
4. Se não pudermos evitar o efeito da maldade devemos evitar que os mesmos nos afastem de Deus e nos leve a desacreditar do poder de oração; 
D. O homem do mundo jamais faria isto: 
1. Certamente se conformaria com as leis; 
2. Talvez se revoltaria: !Que é o Todo Poderoso para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?? 
E. Daniel tinha prazer em falar com Deus e Deus tinha prazer em ouvi-lo: 
? Agrada-se o SENHOR dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia? (Sl 147:11) 

IV. O homem de fé sente-se em paz nas piores circunstâncias: 
A. É dito que apesar de suas orações ele foi lançado na cova dos leões; v.16; 
B. Em todo o relato não vemos, em nenhum momento, Daniel orando para que Deus o livrasse da cova: 
1. Em paz ele permitiu que o lançassem aos leões; 
2. Se alguém se empenhou foi o rei (v.14); 
C. Uma nota importante: Na atitude do rei ponderemos em quantas vezes por falta de raciocínio ou teimosia praticamos ou falamos coisas que não tem volta; 
D. O contraste da paz do crente e do tormento do descrente pode ser visto nas atitudes de Daniel na cova e do rei em seu leito de dormir: 
1. Daniel ficou em paz, mesmo na companhia dos leões; 
2. O rei ficou sem dormir, porque não conhecia Deus, apesar de seu zelo por Daniel; 
3. Daniel estava em paz porque estava com ele; 

V. O homem de Fé encontrou no momento mais crítico de sua vida as mais belas experiências: 
A. Vemos nas experiências de Daniel como Deus sempre o colava numa situação inédita, e sempre, num maior grau de dificuldade; 
B. O menino que começou sendo provado com um prato de comida terminou suas provações sendo o prato de comida dos leões. Venceu na primeira e saiu vitorioso na última; 
C. Foi na cova dos leões que Daniel: 
1. Encontrou com o anjo do Senhor; 
2. Experimentou mais uma vez o prazer de confiar nele; 
3. Teve que ser totalmente dependente de Deus; 
D. Se Deus não quer nos salvar da cova, quer que, estando lá, confiemos nEle; 

II PROFECIAS DE DANIEL

Nabucodonosor havia falecido há nove anos. Seus sucessores no trono não haviam sido pessoas de grande valor, e Belsazar tampouco prometia muito. Tratava-se de um período de incerteza política para todos, inclusive para os judeus que viviam em Babilônia. O Próprio Daniel achava-se por volta dos setenta anos. A queda de Babilônia(capítulo 5) e sua experiência na cova dos leões(capítulo 6) ainda se encontravam no futuro, pois os capítulos de Daniel não estavam em ordem cronológica. Entretanto, 50 anos haviam decorrido desde a visão do capítulo 2.
Daniel estava dormindo e então  Águas encheram a vista que tinha diante de si - águas em movimento, agitadas e envolvidas em tumulto pelos ventos que provinham de todas as direções. Repentinamente, enquanto seus olhos tentavam acompanhar a agitação incessante das ondas, sua admiração foi despertada para o aparecimento de um enorme leão, semelhante ao qual ele jamais havia visto outro antes. O leão possuía asas! Enquanto Daniel observava, as asas foram "arrancadas" e "lhe foi dada mente de homem", e foi colocado em pé, "como homem". Daniel 7:4.


O leão não abandonou a cena, mas a atenção de Daniel foi a seguir desviada para um urso que aparecia; este se mostrava estranhamente mais alto de um lado que do outro. O urso "se levantou sobre um dos seus lados", observou Daniel. Além disso, ele trazia três costelas na boca. Verso 5. O urso saliente de um dos lados foi logo ladeado por um leopardo possuidor de quatro cabeças e quatro asas(verso 6), aos quais se seguiu um monstro aterrador que desafiava qualquer classificação zoológica. Daniel jamais havia visto qualquer coisa a que pudesse comparar esse animal. Ele o descreve como "terrível, espantoso, sobremodo forte", "diferente de todos os animais que apareceram antes dele". Daniel acrescenta, então, que o animal possuía "dez chifres". Este animal extremamente feio, postado evidentemente num pedaço de solo, apareceu na visão com aspecto ameaçador e assassino, com enormes unhas de bronze e dentes de ferro. Ele "devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobejava". Versos 7 e 19.


Enquanto contemplava maravilhado o estranho e selvagem animal, Daniel - embora assustado - pôde discernir o décimo primeiro chifre, "pequeno", tentando fazer espaço para si entre os outros dez; em seguida percebeu que, daqueles 10 chifres, três se tornavam frouxos, caíam, e cediam o seu espaço para o chifre pequeno. "E eis que neste chifre haviam olhos, como os de homem, e uma boca que falava insolência." Verso 8. Neste ponto a atenção de Daniel foi desviada misericordiosamente da horrível cena que tinha diante de si, sendo conduzida para uma grande e gloriosa cena no Céu. Lá ele pôde ver o Ancião de Dias em sua obra de julgamento, próximo ao fim dos dias. O profeta viu ainda a Quarta besta morta, enquanto "domínio, e glória, e o reino" foram dados a "um como o Filho do homem". Versos 9 a 14.
Ele tinha razão em sentir-se grandemente aliviado. Por certo assim aconteceu. Mas ele também continuou profundamente impressionado com a Quarta besta e seus 10 chifres, a ainda mais especialmente com o "chifre pequeno". Percebendo que se aproximava uma pessoa útil e agradável, alegrou-se logo muitíssimo ao descobrir que se tratava de um personagem celestial, o qual podemos imaginar como sendo um anjo. Este se colocou ao lado do profeta. Daniel pediu ao anjo que lhe contasse "a verdade acerca de tudo isto". Verso 16. O anjo respondeu simplesmente: "Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis, que se levantarão da Terra." Imediatamente o ser celestial chamou a atenção do profeta para o final feliz da visão: "Os santos do Altíssimo receberão o reino, e o possuirão para todo sempre, de eternidade em eternidade." Versos 17 e 18. Mas Daniel não ficou satisfeito com esse resumo! Ele suplicou ao anjo(Verso 19 a 22) que lhe concedesse detalhes acerca do quarto animal e seus chifres. Graciosamente, o anjo acedeu(Versos 23 a 27). Depois que o anjo terminou a primeira parte da explanação, disse ele a Daniel- e, através do profeta a todos nós- "O quarto animal será um quarto reino da Terra". Verso 23.


A partir do momento em que sabemos que o quarto animal, A partir do momento em que sabemos que o quarto animal, reconhecemos estar tratando da mesma série de potências mundiais que encontramos pela primeira vez no sonho da estátua de Nabucodonosor, apresentado no capítulo 2: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma, seguidos na seqüência de eventos pelo reino de Deus. Babilônia, representada na grande estátua pela cabeça de ouro, é apropriadamente representada por um leão, o rei dos animais. As pessoas que visitam Babilônia podem ainda hoje ver as figuras de leões em baixo-relevo nos muros e paredes construídos com tijolos queimados; podem ver também o enorme leão de pedra que, depois de 2400 anos, ainda está agachado sobre uma mulher de pedra, caída. O Império Medo-Persa, simbolizado na grande estátua pelo peito e braços de prata, é facilmente distinguível como o urso com um dos seus lados mais alto, em Daniel 7. Nossa identificação será plenamente confirmada mais tarde, quando chegarmos em Daniel 8, onde os dois chifres desiguais de um carneiro são explicitamente identificados como os reis da Média e da Persa. O ventre e coxas da estátua representam a Grécia. O mesmo ocorre com o leopardo do presente capítulo.Em Daniel 8, o bode que ataca o carneiro medo-persa será interpretado como o "rei da Grécia". Por fim, as pernas de ferro que representavam Roma em Daniel 2, são aqui substituídas pelo animal terrível e espantoso, para o qual não parece haver classificação zoológica. Assim, não pode haver dúvida quanto a identificação das quatro bestas; quanto às águas, também é fácil identificá-las segundo a Bíblia. Apocalipse 17 :15 afirma que águas simbólicas são: "povos, multidões, nações e línguas".


I PROFECIA DE DANIEL


Nabucodonosor, rei da Babilônia, estando preocupado acerca do futuro, teve um sonho impressionante que esqueceu e por isso ficou muito perturbado. Chamou os magos, os encantadores, os feiticeiros do seu reino para que adivinhassem o sonho e dessem a sua interpretação, mas eles não conseguiram. Muito irado, mandou matar todos os sábios de Babilônia.

O profeta Daniel foi incluido entre os condenados. Pediu, porém, um prazo para dar uma solução ao assunto do rei. Conseguido o prazo, foi para casa, e, com seus companheiros, rogou a Deus misericórdia a fim de que não perecessem. Deus os atendeu revelando a Daniel o que o rei sonhara e também o significado do sonho. (Ler Daniel 2:1-23.)

E assim ele falou ao rei: "Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua.... A cabeça era de fino ouro, o peito e os braços de prata, o ventre e os quadris de bronze, as pernas de ferro, os pés em parte de ferro, e em parte de barro".

"Quando estavas olhando, uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata, o ouro, os quais se fizeram como a palha das eiras no estio, e vento os levou e deles não se viram vestígios. Mas a pedra que feriu a estátua, se tornou em grande montanha que encheu toda a terra". Daniel 2:31 a 35.

Nabucodonosor teve esse sonho no ano 603 antes de Cristo. Mas que significa o sonho? O profeta Daniel também deu ao rei a interpretação do sonho:

I."Tu, ó rei, ... és a cabeça de ouro". Versículo 37 e 38.
Esta declaração torna evidente que a cabeça de ouro simboliza o poderoso e magnificiente império babilônico; mas, a despeito da sua glória, Babilônia devia passar ... Versículo 39.

II."Depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu".
Esse reino seria a Medo-Pérsia, representada pelo peito e braços de prata da estátua. Em 539 antes de Cristo, Ciro, o general persa, derrotou o império babilônico e estabeleceu a segunda potência universal.

III."E um terceiro reino de bronze, o qual terá dominio sobre a terra". Versículo 39.
Duzentos anos mais tarde, em 331 antes de Cristo, a Medo-Pérsia caía diante das forças da Grécia comandadas por Alexandre o Grande. Foi o domínio mais extenso que existiu até então. Este império é representado pelo ventre e quadris de bronze. Este também daria lugar a um quarto reino universal.

IV."O quarto reino será feito como ferro". Versículo 40.
As pernas de ferro simbolizavam o quarto império. Em três campanhas militares que culminaram com a vitória de Pidna, em 168 antes de Cristo. Roma dominou o reino da Grécia e se tornou a quarta potência mundial. Esta foi a que mais duro, a mais extensa e a mais poderosa. O imperador romano, César Augusto, era o soberano desse império quando Jesus nasceu. Cristo e os apóstolos viveram durante o período representado pelas pernas de ferro.

Daniel (Dn)

Autor: Daniel
Data: Final do séc. VI AC
AutorDaniel foi deportado, enquanto adolescente, no ano de 605 aC, para a Babilônia, onde viveu mais de sessentas anos. Possivelmente fosse de uma família de classe alta de Jerusalém. Isaias e Ezequias (Is 39.7) haviam profetizado a deportação para a Babilônia dos descendentes da família real. Inicialmente, Daniel serviu como estagiário na corte de Nabucodonosor. Mais tarde, tornou-se conselheiro de reis estrangeiros.
A importância de Daniel como profeta foi confirmada por Jesus em Mt 24.15.
O nome Daniel significa “Deus é meu juiz” Sua inabalável consagração a Jeová e sua lealdade ao povo de Deus comprovaram fortemente essa verdade na vida de Daniel.
DataEmbora o cerco e a deportação de cativos para a Babilônia tenha durado vários anos, os homens fortes e corajosos, os habilitados e os instruídos foram retirados de Jerusalém logo no início da guerra (2Rs 24.14). A data do cativeiro de Daniel costumeiramente aceita é de 605 aC. Sua profecia abrange o espaço de tempo de sua vida.
Contexto HistóricoJuntamente com milhares de cativos de Judá levados para o exílio na Babilônia, entre 605 a 582 aC, os tesouros do palácio de Salomão e do templo também levados. Os babilônios haviam subjugado todas as províncias governadas pela Assíria e haviam consolidado o seu império numa área que abrangia grande parte do Oriente Médio.
Para governar um reino tão diversificado numa área de tamanha extensão, necessitava-se de uma burocracia administrativa especial. Escravos instruídos ou habilitados que as circunstâncias requeriam tornaram-se a mão de obra do governo. Por causa de sua sabedoria, conhecimento e boa aparência, quatro jovens hebreus forma selecionados para o programa de treinamento (1.4). Devido ao caráter excepcional de Daniel, Hananias, Misael e Azarias, estes jovens foram contemplados com funções relevantes no palácio do rei. Daniel sobrepujou a todos os homens sábios daquele vasto império (6.1-3).
ConteúdoO propósito é mostrar que o Deus de Israel, o único Deus, mantém sob seu controle o destino de todas as nações.
Daniel se compõe de três partes principais: Introdução à pessoa de Daniel (1), os testes decisivos do caráter de Daniel e o desenvolvimento de suas habilidades de interpretação profética (2-7) e a série de visões de Daniel sobre reinos e acontecimentos futuros (8-12). Nesta parte final, Daniel se apresenta como livro profético básico para a compreensão de muitas coisas da Bíblia. Muitos aspectos de profecias relacionadas com os tempos do fim dependem da compreensão deste livro. Os comentários de Jesus no Sermão do Monte das Oliveiras (Mt 24; 25) e muitas das revelações dadas ao apóstolo Paulo encontram harmonia e coesão em Dn (ver Rm 11; 2Ts 2). Da mesma forma, Daniel se torna um companheiro de estudo necessário do Livro de Apocalipse.
Embora a interpretação de Daniel, como também Apocalipse, seja feita de maneira bastante diversificada, para muitos o enfoque da dispensação tornou-se bastante aceito. Esse enfoque na interpretação encontra em Dn as chaves que ajudam a desvendar os mistérios de assuntos como o Anticristo, a grande tribulação, a segunda vinda de Cristo, os Tempos dos Gentios, as ressurreições futuras e juízos. Esse enfoque também vê as profecias que ainda estão por se cumprir girando em torno de dois eixos principais: 1) o destino futuro da cidade de Jerusalém; 2) o destino futuro do povo de Daniel; judeus nacionais (9.24).
Os escritos de Daniel cobrem o governo de dois reinos, Babilônia e Medo– Persa, e quatro reis: Nabucodonosor (2.11-4.37); Belsazar (5.1-31); Dario (6.1-28) e Ciro (10.1-11.1).
Cristo ReveladoA primeira vez que se vê Cristo é na figura do “quarto” (homem) ao lado de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na fornalha de fogo (3.25). Os três permaneceram fiéis ao seu Deus; agora, Deus permanece fiel a eles no fogo do julgamento e livra-os, inclusive do “cheiro de fogo” (3.27).
Outra referência a Cristo se encontra na visão da noite de Daniel (7.13). Ele descreve “que vinha nas nuvens do céu um como o Filho do Homem”, referindo-se à segunda vinda de Cristo.
Outra visão de Cristo, se acha em 10.5-6, onde a descrição de Jesus é bastante idêntica à de João em Ap 1.13-16.
O Espírito Santo em AçãoO Espírito Santo nunca anuncia sua presença em Daniel, mas ele está nitidamente em ação. A habilidade de Daniel e dos outros hebreus de interpretarem sonhos se devia ao poder do ES. As profecias, tanto as que se aplicavam ao local quanto ao futuro, indicam discernimento sobrenatural dado a Daniel pelo ES.
Esboço de Daniel
I. As convicções religiosas de Deus 1.1-21
O exílio de Judá 1.1-2
A decisão de Daniel de manter-se separado 1.3-21
II. O primeiro sonho de Nabucodonosor 2.1-49
O sonho esquecido 2.1-28
A revelação e a interpretação de Daniel 2.29-45
Daniel é honrado através de promoção 2.46-49
III. A libertação da fornalha de fogo 3.1-30
Convocação para adorar a estátua de ouro 3.1-7
A recusa dos três hebreus de se prostrarem perante a estátua 3.8-18
Os três hebreus são miraculosamente protegidos 3.19-25
O rei confessa o Deus verdadeiro 3.26-30
IV. O segundo sonho de Nabucodonosor 4.1-37
O sonho de Nabucodonosor 4.1-37
A Interpretação da Daniel 4.19-27
O cumprimento do sonho 4.28-33
A oração e restauração de Nabucodonosor 4.34-37
V. A festa blasfema de Belsazar 5.1-31
A escrita manual na parede 5.1-9
A interpretação de Daniel da escritura 5.10-31
VI. Daniel na cova dos leões 6.1-28
Complô contra Daniel 6.1-9
Daniel é lançado na cova dos leões 6.10-17
Daniel é liberado 6.18-28
VII. A primeira visão de Daniel 7.1-28
O sonho da Daniel sobre os quatro animais 7.1-14
A Interpretação de Daniel 7.15-28
VIII. A segunda visão de Daniel 8.1-27
O sonho de Daniel sobre um carneiro, um bode e sobre os chifres 8.1-14
A interpretação de Gabriel 8.15-27
IX. A profecia das setentas semana 9.1-17
A oração de Daniel 9.1-19
A Visão da Daniel 9.20-27
X. A visão final de Daniel 10.1-12.13
A visão de Daniel de um ser glorioso 10.1-9
A visita de um anjo 10.10-21
Guerra entre reis do Norte e do Sul 11.2-45
O tempo da tribulação 12.1-13

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